Parque Nacional Queulat – Ventisquero Colgante!

Saímos na manhã do dia 11 da nossa trip pela Carretera Austral, de Puerto Cisnes  andamos só uns “metros” (65 km é pouco quando se fala em Patagônia) e chegamos no Parque Nacional Queulat onde teríamos a aventura do dia. O pernoite foi em Puyuhuapi (+ 22 km).
O Parque Nacional Queulat é daqueles parques que você já está andando nele quando está na estrada (ele tem 150 mil hectares), nesse caso a própria Carretera Autral corta o parque, são 40 km de carretera dentro do Queulat. Aliás, da estrada já se vê a grande atração do lugar, a geleira Ventisquero Colgante.
Um detalhe bem importante sobre esse trecho da Carretera Ruta 7 são as curvas mega fechadas, teve um momento em que encontramos um caminhão e foi tenso até que ele conseguiu seguir viagem.
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atrás de mim a geleira suspensa

Esse parque faz parte da Rota dos Parques Patagônicos que liga a Carretera Austral até o Fim do Mundo. São 2.800 km com 17 parques e a estrada é tida como uma das mais bonitas do mundo. Concordo, já fiz o Fim do Mundo (Ushuaia) também e sei do que estou falando, hehe, é magnífico! Ta aí mais um roteiro para quem quer conhecer a parte central e sul da Patagônia tudo de uma vez só.

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essa foto tirei para falar de algo que é certo que vais encontrar na Carretera Austral: uma caminhonete vermelha (preferência nacional ou “carretal”)_

 

Falando de estrada, se for no período de janeiro à abril fique atento nos trechos que costeiam o Pacífico pois há muitos relatos de turistas que avistaram baleias e golfinhos. Nós vimos no dia seguinte no spa termal.

 

O Parque Nacional de Queulat fica aberto o ano inteiro e por lá o clima não muda, é sempre lindo e úmido.

Chegando na portaria precisamos desembolsar 8 mil pesos (é possível pagar com cartão) e por lá fomos informados que a trilha do bosque encantado continua fechada desde a última avalanche e pela entonação do guia acho que nem liberam mais, pois o risco de novos deslizamentos é grande. Essa trilha era muito famosa e se estivesse aberta seria a que faríamos.

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Abaixo um mapinha do parque e suas trilhas hoje existentes.
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Fizemos todas as trilhas, iniciamos pela mais longa e também mais empolgante, chegamos pertinho da geleira suspensa.
A trilha é de 6,6 km (ida e volta) com praticamente só subidas e depois só descidas, óbvio né, hehe.
E seja qualquer das trilhas que você vai escolher, você passará por essa passarela.
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O Rio Ventisquero que passa debaixo da passarela vem da Laguna Tempanos que por sua vez é decorrente do degelo da geleira, é inevitável não pensar que tão logo não teremos uma geleira suspensa. Dizem que demorará alguns anos, mas o fato é de que elas estão sim diminuindo e num ritmo bem mais acelerado que há tempos atrás.
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A trilha até o mirador já diz tudo, subidas e subidas, são 3,3 km de morro acima, mas como ela é tão bonita a gente vai subindo e se distraindo e daqui a pouco chega.
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A região é bem úmida e a trilha também, então é bom usar vestimentas para encarrar barro e ficar em pé.
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A medida que vai se subindo, a vista entre as aberturas da floresta é compensadora ao esforço, são janelas do céu.
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Nessa trilha pisar no barro é quase que inevitável, eu arrisquei ir pelas pedras em grande parte, mas quando vi resvalei e atolei, depois larguei de mão e estava a subir como um soldado em missão.
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o casal aí estava escolhendo os próximos passos

A trilha não é moleza, é de dificuldade intermediária, mas quando se tem vontade de ver um postal patagônico tudo fica alcançável, até mesmo com o filho nas costas.

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imaginando as memórias que essa criança terá da sua infância!!!
Finalmente consegui uma foto (e autorização rsrs) de uma das cenas que mais gosto na patagônia: pais fazendo trilhas com o bebês nas costas.
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pedras e madeiras dão uma camuflada no barro da trilha
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há partes em que o sol pega mais e fica mais sequinho em dias em que não há chuva.
E depois de 3,3 km e 2 horas de subida, a recompensa:
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Esse glaciar está à 1.200 metros de altura e tem 19 km de extensão o que deixa qualquer um apaixonado por ele.
Se você está se perguntando a tradução de Ventisquero Colgante lhe digo: Pingente de Neve.
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essa foto tirei no celular, mas legal que se consegue ver o lago também.
Algo bacana que nos aconteceu quando chegamos no mirante, além de estarmos esbaforidos e felizes pela vista foi que reencontramos as mochileiras a quem demos carona em Tortel dias antes; nós seguimos de carro e elas de camping em camping e de carona em carona chegaram no mesmo dia que nós no Ventisquero. Infelizmente esqueci de tirar uma fotinho com elas…
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Depois de descansar, lanchar e conversar com nossas amigas, começamos a descer a montanha para pegar nossa segunda trilha. Vejam a foto acima, teve uma parte da trilha que era no cume de uma montanha e parecia uma passarela de terra, deu um medinho, mas sem nenhum acidente chegamos ao pé da montanha ao lado do Rio Ventisquero, mas tenham cuidado!
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a vista para quem desce também é bela, mas não deixe de olhar para o chão, as quedas por lá podem ser comuns.
A segunda trilha foi a da Laguna Tempanos, são 600 metros até chegar na lagoa.
A trilha quase que toda é plana, daquelas de carregar a sogra nas costas, hehehe.
Na Laguna Tempanos tem um passeio de barco, que dura 35 minutos e entra 2,5 km à frente do ventisquero. Tem o custo de 6 mil pesos por pessoa e encerra às 17h, então a dica é ir fazer primeiro essa trilha, caso você vá à tarde ao parque.
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Nessa trilha se tem uma bela vista do glaciar, então, se não conseguir fazer a trilha de 6,6 km não se perde tanto.
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A trilha tem várias aberturas que se tem vistas lindas do rio, mas de novo, cuidado quando for olhar, pois cair ali naquelas pedras, naquela correnteza… pode não ser só uma vídeo cassetada.
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Essa passarela além de funcional é pitoresca!
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Uma coisa bacanézima deste lugar é que o parque fez uma trilha para cadeirantes (com decks), abaixo a vista dela, fantástico!!!! Por mais parques assim, com inclusão social:
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Parque Nacional Queulat, meus parabéns!!!!
Aí existem outras duas trilhas pequenas de 350 mts e 200 mts.
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Essa é uma trilha que costeia o Rio Ventisquero entre muitas pedras, algumas gigantescas, as quais contam a história e função delas no lugar.
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perfeito!
Depois de desbravar todas as trilhas possíveis foi hora de dar tchau!!! Foi nosso último trekking patagônico dessa trip e isso sempre me dá um apertinho no peito… eu amo trilhas!!!!
Uma dica final: o parque fecha às 18 horas e para se fazer as trilhas é bom entrar antes das 15 horas pois depois deste horário não deixam mais subir na trilha do mirante.
Você também pode dormir no Parque Nacional Queulat pois há um camping na saída (nossas amigas ficaram por lá), é o camping oficial da CONAF.
Eu queria ficar nessa casinha da foto abaixo e ser vizinha do Colgante, que tal? nada mal!!!
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Bom fridinhos, até o próximo post, onde falarei da experiência de estar num spa termal à beira do Pacífico. Também darei dicas de hospedagem em Puyuhuapi para onde fomos descansar depois desse dia “colgante”!

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